
Muitos o chamam de "Saara brasileiro". Outros preferem chamá-lo de "miragem maranhense". A verdade é que os Lençóis Maranhenses atraem cada vez mais turistas interessados em admirar as dunas tão mutantes quanto a paisagem multicolorida dos Lençóis. As nuances surgem nas águas e areias claras que refletem uma fatia de Brasil ainda pouco conhecida.
Miragem tropical
Majestosas dunas do mais puro branco enlaçam curvas silenciosas de lagoas e mangues. O cenário é composto de cores tão mutantes quanto as nuances dos ventos alísios, que desenham nas areias arabescos só traduzidos pelos poetas, em noites de lua cheia. Os Lençóis Maranhenses, o único deserto brasileiro, são formados pelo Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, em uma área de 155 mil hectares, o equivalente ao tamanho da cidade de São Paulo. Esse pedacinho de Brasil é habitado por dunas, mangues, lagoas e restingas em um ecossistema raro no planeta, pela biodiversidade que abriga. São desde águas azuis cristalinas às dunas que chegam a atingir 40 metros de altura.
Esculturas em areia
Aterrissado no município das Barreirinhas, no Maranhão, o deserto é o retrato pacato de um Brasil praticamente desconhecido. Os 100 quilômetros de dunas, que margeiam o litoral maranhense, formam uma paisagem quase surrealista. Elas entremeiam as famosas miragens com verdadeiras piscinas de águas coloridas e doces, salpicadas em toda a extensão do parque, sempre à sua espera para um mergulho refrescante. As imensas lagoas, que parecem refletir um arco-íris, tamanha a variedade de cores, são povoadas de peixes e aves migratórias. É comum encontrar as aves maçarico-rasteirinho e marreca-de-asa-azul, os mamíferos paca e veado-mateiro, além de enormes tartarugas marinhas às margens do litoral dos Lençóis.
O "Saara Brasileiro", como também é chamado, só se difere do verdadeiro deserto africano no que diz respeito à fauna e às chuvas. Nos Lençóis Maranhenses chega a chover 300 vezes mais do que no deserto do Saara. Por isso, ele abriga pequenos oásis de lagoas, onde procriam-se camarões e peixes em abundância. Aliás, são essas pequenas criaturas, um dos pontos responsáveis pelo sustento do comércio na região. A maioria dos rústicos moradores de Barreirinhas vive da pesca, da lavoura, do artesanato e da criação de gado, que proporciona um belo contraste na paisagem de morrarias* e buritis*.
A rusticidade é o que traduz esse lugar. Um pedaço de deserto no nordeste do Brasil é meia página de poesia em alguma biblioteca. Mesmo a fertilidade da riqueza de paisagens nacionais, não deixa passar impune o sopro dos ventos em cada grão de areia dessa região. A cada murmúrio, o vento molda a face do deserto que fala português, e retrata a nítida face da abundância de miragens do universo chamado Brasil. |
O buriti* é uma espécie de palmeira que chega a medir 50 m de altura. Suas folhas cobrem a maioria das casas dos vilarejos maranhenses. Do buriti, também extrai-se o palmito, uma das iguarias bastante utilizadas; e o doce, o suco e o óleo de buriti. A árvore também é usada para produzir canoas e casas.
Morrarias* - É como os nativos chamam as dunas.
Jamais entre no Parque Nacional sem a companhia de um guia.
Sempre leve água potável nas caminhadas.
Nos passeios ou viagens de barco leve sempre uma rede, óculos escuros, chapéu e filtro solar. Afinal, você está indo para o deserto.
A melhor época para visitar o Parque Nacional é de janeiro a setembro, a época das chuvas. Nesse período as piscinas naturais entre as dunas estão mais cheias. |