Quando se pensa no Ceará vem à nossa mente a imagem da jangada, pois o jangadeiro é a figura típica. São homens que vivem da pesca, moram à beira-mar em cabanas de palha e enfrentam o mar com uma embarcação que é feita de madeira leve, ligada por cordas usando um só mastro para a vela que normalmente é branca.

Eles eram milhares, espalhados pelas praias de todo o litoral nordestino. Enfunando suas velas triangulares, claras - as cutingas, línguas brancas, no falar dos índios -, eram vistos em frotas numerosas, pescando a noventa, cem quilômetros distantes da costa. Hoje são bem menos, poucas centenas, habitantes de uma região que cada vez mais se limita, da mesma forma que diminui sua possibilidade econômica. Mas os jangadeiros, últimos heróis do mar, insistem teimosamente em conservar seu rude e romântico ofício, em Alagoas, em Pernambuco, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e no Ceará, Estado em cujo brasão de armas a jangada aparece com destaque. A maioria deles abandonou já as tradicionais jangadas de pau piúba, de curta duração, trocando-as pelas de tábua, mais caras mas, em compensação mais duráveis. As jangadas de piúba não chegam, agora, em todo o Nordeste, à casa dos trinta, mas os jangadeiros, apesar das mudanças, das pressões externas ao seu meio, da desvantajosa competição, tentam manter os processes de navegação e pesca que herdaram dos avós de seus avós, e que sonham legar - sonho impossível - aos netos de seus netos.

Dragão do Mar - O jangadeiro da liberdade
1884: O Ceará é a primeira província brasileira a abolir a escravidão.O movimento Abolicionista Cearense, surgido em 1879, contribui ,embora não decisivamente, para esta abolição pioneira. As ações repercutem no país e os abolicionistas,gente de elite,brava e culta,são ovacionados pela imprensa abolicionista nacional.Entre eles,há,porém,uma pessoa humilde,de cor parda,trabalhador do mar:Chico da Matilde.Chefe dos jangadeiros,ele e seus colegas se engajam à luta já em 1881,recusando-se a transportar para os navios negreiros os escravos vendidos para o sul do país.Chico da Matilde é levado para a Corte com sua jangada,desfila pelas ruas,e ganha novo nome,mais pomposo e mítico: Dragão do Mar, tornando-se símbolo da resistência popular cearense contra a escravidão


 

 
 
 
 
 
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